04 avril 2011

Le Cercueil

Parecia que dormia
« de façon paisible »
parecia que sentia
que a terra, logo ali
um dia lhe chamaria.

Carecia de teto,
carecia de pão.
Do circo não se lembrava,
ou nem conhecia.

Não havia pia nem escada,
não havia quase nada.
So sabia onde dormia
e essa era a sua morada.

Apenas de uma coisa
parecia que não carecia...
As flores ja estavam postas
o tumulo ja estava à mostra.

Se um dia, durante o sono
(sonhando que a vida era um pesadelo)
num espasmo escorregasse do colchão
caia direto no caixão.

Sem tumulto, sem apelo
parecia que não sabia
que sua vadia morada
era um cercueil cuidado com zêlo.

17 mars 2011

Hoje é um daqueles dias melados de melancolia. Eu me viro, me ajeito, me dispo e me recomponho, mas nada faz com que me deixe em paz. A melancolia...
Me sinto lânguida, displicente, incoerente. Me sinto invernal. Queria poder contar uma historia feliz, queria cantar aquela canção, olhar umas fotos, jogar papo fora; queria escrever um poema num papel de seda, e que ele saisse voando, e ficasse pendurado num galho desta arvore sem folhas. Queria ser este cão, deitado no chão, dormindo com um olho, e com o outro, acordado. Queria que me visse assim como sou, algo de frivolo, algo de « frêle », algo sem grandes pretenções. Sem muito bom gosto, sem conhecimento musical, algo um tanto descomposto procurando a continuidade. Um tanto séria, um tanto timida. Sempre em busca de mais, sem nem sempre saber do que. Dando passos, e ao mesmo tempo tentando olhar para esta que da o passo. À devira no descompasso. Uns atos de preferência : um sussurro, um movimento, um abraço. Um silêncio, e todo sentimento. A melancolia.

23 décembre 2010

Ano de 2011

Ano de 2011. Pensei nestas diversas respostas que não chegam. Não vejo a hora de poder enumera-las, lista-las, inseri-las numa tabela. Para que tudo possa ser estimado, nos melhores prazos...
O universo realmente teve um começo? O que acontecera depois do seu fim? Quando morremos não existe mais nada? Qual a consequência das decisões que tomamos na vida? Existe alguma necessidade inerente às coisas e acontecimentos? Porque sou exatamente esta pessoa, e não essa outra que esta sentada ao meu lado? O que faz com que dois corpos se atraiam, um em direção ao outro, no que chamamos « força da gravidade »? Se tudo em volta (incluindo eu) é feito de atomos, de eletrons que giram em torno de um nucleo, o que faz com que sejamos intransponiveis, na maioria do tempo? Alias, o que é o tempo? Algo que existe na natureza, ou uma coisa que inventamos? Se inventamos o tempo, sera que sou capaz de pensar a realidade sem me referir a ele? Existe alguma outra categoria, além do presente, do futuro e do passado? Sera que o vermelho que vejo é o mesmo que veem as outras pessoas? O conhecimento é infinito? E a imaginação? Existe a telepatia? Existe algo que se aparenta à objetividade?
Mas uma pergunta, de repente, me causa grande angustia... Quando colocar todas estas respostas numa tabela, o que farei em seguida?!?

17 août 2010

Trem-trem da vida


Os dias passam mais rápido do que o espírito pode captar. Não controlo mais os movimentos do corpo, que segue um rítimo estrangeiro, automático, e ao mesmo tempo absurdo. O cotidiano é feito destas ações sem vontade, povoado de espasmos, aparentemente cheios de razão. Não se trata daquele cotidiano dos romances, saudoso, que glorificamos quando a alma é tomada pela consciência da passagem das horas e de nossa ínfima condição. O cotidiano da memória… Não, o tempo de que falo é besta, cansativo, gasta os dias sem motivo nem vontade. Um cotidiano que só cansa o corpo, que só o envelhece, e que não ensina nada ao espírito.

05 août 2010

A primeira separação

A separação é como um copo vazio; um corpo vazio. Não falo daquela separação sem esperança, doida, nem da resignação necessaria diante da morte. Trata-se de uma situação em que a alma espera, na espreita. Ela espera que algum barulho venha quebrar este "não lugar" em que se encontra. Como se estivesse suspensa por fios invisiveis. Ou fosse um boneco dentro de uma casinha de brinquedo. Como se fosse inexistente, num tempo de sonho, de ilusão. Parece que esta brincando de esconde-esconde, e num dado momento você saira de tras da porta, e tudo voltara a ser o que era antes. Assim, a alma sente uma certa animação em estar escondida, sem saber ao certo quem esta procurando quem. Minha alma às vezes te procura, e espera, ansiosamente, carinhosamente, que você a procure também. Mas às vezes a alma cansa de brincar, e quer logo te ver, porque o tempo torna-se esquisito, tudo parece de mentira, e até começa a duvidar se a sua presença foi um dia real. A primeira separação é como uma respiração em suspenso. 

13 avril 2010

Pequenas particulas de memoria

Queria que você lembrasse deste momento para sempre. Essas pequenas partículas quase invisíveis que flutuam entre nós. Como se dançassem. Mas certamente você nem se dá conta, está aí a brincar com as próprias mãos. É engraçado como às vezes estamos um do lado do outro, e vamos para lados distintos em nossas cabeças. Queria que você se lembrasse deste dia de sol ; os raios, raros nesta região, que nos iluminam a face. Olho para o teu rosto, e quero me aninhar nele, para sempre. Mesmo sabendo que isso de durar para sempre é como um sonho, só acontece em nossas almas, é apenas uma sensação. « sempre » é uma impossibilidade. Um dia não poderei mais te encher de beijos, e então nos tornaremos alteridades, um em relação ao outro. É mais ou menos o que somos hoje, mas neste momento em que pequenas partículas nos entremeiam, sinto como se participássemos de uma coisa só. Uma massa de matéria, de vida. Ao menos um tanto de memória ; uma cena em comum. Guarde estas pequenas partículas em sua mente, como se fossem eu.

15 janvier 2010

Tempo morto


Pensei se pensava em mim, um instante, antes de pegar no sono, ou na fila do banco. Pensei que agora que faziamos tudo pela internet talvez não pensasse mais em mim, não tinha mais tempo morto. Porque afinal, apesar de não ter morrido, faço parte desta historia morta. Assim, você não ha de pensar em mim em qualquer outro momento, além do seu tempo morto. Isso me conforta, quer dizer que não ocupa a cabeça com pensamentos inviaveis. Não sei se sabe, mas dizem que na vida não devemos dar espaço ao que é impossivel ou inviavel. Sobretudo aos amores impossiveis. Parece que uma hora perdemos a esperança, e ficamos cabisbaixos para toda a vida. Não desejo que seja uma pessoa cabisbaixa, pois so poderia admirar o chão, e se me lembro bem, você gostava de admirar as estrelas. Ou talvez tenha me dito isso para fazer tipo, porque dizem que duas pessoas que admiram as estrelas juntas estão apaixonadas. Eu lembro de termos admirado as estrelas juntos, mas não me lembro se estivemos apaixonados. Estivemos lado a lado. é por isso que estive pensando se pensava em mim, pois ca estamos, cada um num canto. Eu penso, um pouquinho, mas não tenho certeza se é em você. é uma imagem de você, uma sensação. O cheiro do perfume (ou seria o cheiro do seu casaco?), a maneira como pronunciava as palavras, e as distinguia umas das outras. Tudo em você parecia distinto. Eu mesmo, do seu lado, parecia distinto. Esquecia de mim. Esquecia tanto de mim que hoje em dia, apesar de não estarmos no mesmo lugar, ainda tenho dificuldades de pensar menos em você e lembrar mais de mim. Foi por isso que pensei se pensava em mim; eu sim, penso. E esse pensamento me ocupa tanto que nem tenho mais tempo pra mim, um tempo morto...

13 janvier 2010

Provavelmente as 16 horas são iguais em qualquer parte. é o momento que mais traduz a banalidade de um dia. Viver as 16 horas de uma tarde permite que se tenha esse sentimento do cotidiano, onde quer que esteja. A televisão ligada num telefilme, ou programa de auditorio; a rua deserta, esperando o trânsito das 18 horas; os biscoitos da tarde, o céu alaranjado, enfim, todos estes fragmentos que constituem uma profunda sensação de inutilidade. E assim se da uma tarde, desde que o homem se deu por si. Talvez este seja o verdadeiro sentido da banalidade, pensar que em todas as épocas, pintadas pelos mais diversos acontecimentos historicos e pelas diferenças na condição social, uma tarde é sempre uma tarde. As 16 horas refletem ao individuo sua propria imagem, a inutilidade de toda a criatividade e invenção, de toda sutileza, da estética, da beleza, de todo o orgulho... Nada vence a morosidade das 16 horas de uma tarde qualquer, ela é universal. Assim, frente à besteira desta tarde somos todos iguais.

07 janvier 2010

2010

O outro lado do mundo me parece, neste exato momento, muito longe. Parece que esta um calor digno do deserto, e eu aqui tentando aquecer minhas mãos sem sucesso. Não adianta luva, nem cha quente, nem lareira. Não adianta nada. Este é o tempo de gelar o corpo, e consequentemente, a alma. No começo eu esperei mudar tal fato, saia, e fingia que não estava frio… quando percebi que minha tatica não tinha sucesso algum, me convenci de que um dia seria como todos os demais, meu corpo se adaptaria ao meio, e eu poderia viver este periodo do começo de ano na mais pura tranquilidade. Não foi o que aconteceu. Continuo achando absurdo o fato de viver num frio destes. E apesar do ano ter começado a pouco, eu, pessoalmente, hibernarei até março; fingirei fazer coisas, imitarei minha propria vida, até que o clima torne-se mais ameno, possibilitando que o ano de 2010 comece de verdade, segundo as regras sazonais proprias ao meu corpo e espirito.